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Espetáculo mistura ritmos instrumentos, pessoas e movimentos

Máriam e os demais responsáveis pela organização e coreografias apresentadas no espetáculo
Máriam e os demais responsáveis pela organização e coreografias apresentadas no espetáculo

Misturança. O nome do show que marcou o encerramento das atividades da Cia de  Dança do IFPR – Instituto Federal do Paraná – não poderia ser mais apropriado. A mistura de ritmos, que encantou a plateia, foi definida pela diretora, Máriam Trierveiler Pereira, como uma viagem por Beatles, Nirvana, Guns N’ Roses, Queen, Pink Floyd, Metálica, The Eagles, Chico Science, Blitz, Mozart e escolas de samba. “O objetivo do espetáculo é mostrar que é possível misturar ritmos, instrumentos e movimentos e levar o espectador a refletir sobre a conexão que existe entre todos os habitantes do planeta, independentemente de cultura, raça ou credo. Misturança é o resultado do que somos”, resumiu Máriam.

Durante o semestre, pelas salas em que as aulas acontecem, se percebia também entre as pessoas uma mistura muito interessante. Alunos de nível avançado dividindo espaços e depois o palco, com os novatos, compartilhando experiências, num entrosamento que só a arte proporciona.

 O encanto, a dor e o amor embalados pelo forró

Simone e Silvano
Simone e Silvano

Silvano Abdon Saturnino é um dos novatos da turma de forró. Ele conta que gosta de dançar, não importa o ritmo, mas especialmente de forró. “Eu dançava o básico, tipo xote – dois para lá dois para cá.  Essa modalidade que ensinam aqui no projeto é bem diferente. Sempre tive vontade de aprender e quando surgiu a oportunidade, eu aproveitei”, destaca Silvano.

Aplicado nas aulas, ele quer dançar bem. “Quem dança bem, encanta. Quando vejo um casal dançando, eu paro para olhar e quero aprender cada vez mais”, aponta o aprendiz, acrescentando que aproveitou os ensaios para se aperfeiçoar. “A apresentação é uma oportunidade de mostrar o que aprendi”, conclui.

Parceira de Silvano na dança, Simone Aparecida Faria já faz aulas desde o ano passado, mas uma cólica de rins a afastou do palco naquele ano. Mas dessa vez deu certo e ela fez bonito. “Esse ano me senti muito feliz em fazer parte da apresentação final. O projeto, além de trazer cultura e alegria, proporciona superação aos participantes, e isso é gratificante”, observa.

Simone contou que entrou para o forró para tentar superar uma grande tristeza em sua vida. “Fui para o forró para me distrair após a perda do meu pai. Foram dias difíceis, e fui bem acolhida. O forró foi meu ‘remedinho’. Fui pela dor e permaneci por amor”, garante.

Bonito aos olhos de quem assiste

Cléo e Evandro
Cléo e Evandro

Outro que faz parte da nova safra de forrozeiros é Evandro Alves, que foi motivado pelos amigos a dançar. “Acho o forró um estilo interessante. Tenho amigos que já dançavam e via neles uma alegria, uma motivação para sair, conhecer pessoas, fazer novos amigos. Me animei com a animação deles e busquei aprender”, destaca.

Para ele, o forró, além de envolvente, ajuda a socializar. “Dançar é um requisito a mais para o contato com as pessoas. A apresentação é uma forma de mostrar que valeu a pena estar aqui aos sábados, fazendo as aulas. É hora de mostrar o que aprendi”, constata.

Além de se dedicar, Evandro é muito observador e perfeccionista. Nos ensaios, cobrava assertividade, apontava o que poderia ser melhorado. “Eu dou o melhor de mim, e se tem algo que pode ficar melhor, eu aponto, para que as pessoas gostem de assistir, que fique bonito aos olhos de quem está nos vendo”, simplificou.

Eu fui parceria de Evandro na apresentação e soube aproveitar bem esse perfeccionismo. Também sempre fui fã de forró e minha decisão em participar do grupo aconteceu durante a cobertura do evento de encerramento do ano de 2016 para o Portal Mais Mulher. Me apaixonei e ali mesmo eu disse aos monitores: vou fazer aula no próximo ano. E aqui estou, feliz e agradecida por tudo que aprendi esse ano, desse ritmo que encanta e envolve. A frase que ilustra a camiseta da equipe de forro traduz perfeitamente o que os amantes do ritmo sentem: “Fui em busca da felicidade e a acabei no forró.”

Dançar traz coisas boas para a vida

Paulão e Cláudia Lobato, durante a apresentação de 2016
Paulão e Cláudia Lobato, durante a apresentação de 2016

Paulo Roberto Tentor – o Paulão –  não é mais novato, está na equipe de forró há quatro anos, é monitor e participou de quatro espetáculos. Paulão se diz feliz em poder ajudar outras pessoas a aprenderem a dançar. “Para muita gente, dançar é um desafio e é muito bom quando as pessoas resolvem sair da zona de conforto e buscar algo desafiador”, pondera.  Também no caso dele, quando começou, foi um desafio. “Sempre gostei de dançar, porém, sempre aparecia obstáculos no caminho e depois de um bom tempo tentando fazer minha inscrição, consegui, num período não muito legal de minha vida. Aconteceu na hora certa, o destino conspirou e a dança me ajudou a digerir melhor meu problema”, conta.

Ele disse que a dança trouxe muitas coisas boas para a sua vida. “O forró trouxe para a minha vida um grupo enorme de pessoas queridas, que considero muitíssimo, além de coordenação, equilíbrio, concentração, saúde, alegria e uma grande sensação de bem-estar”, elenca. “Sem falar que a batida da zabumba, misturada com o triângulo e a sanfona é contagiante”, acrescenta.

Elizandra e Paulão
Elisandra e Paulão

O animado forrozeiro namora a coordenadora do grupo Deusas de Ventre, Cláudia Lobato, mas no palco do Misturança seu par foi a graciosa Elisandra Regina Keszezuk Vidal, que baila entre a leveza e descontração do forró para a aparente austeridade da dança flamenca, com passos marcantes. Há três anos ela faz parte do flamenco e já esteve em três apresentações de finais de ano, mas no forró é iniciante. “No forró eu gosto da cumplicidade com o parceiro. Deixar ser conduzida pelo outro sai traços que são extremamente marcantes na dança”, diz. “Amo fazer os dois ritmos e fico triste nas férias”, confessa.

Parceiros na dança e na vida

Sandra e Jair

Mais do que uma dupla, Sandra e Jair formam um casal que representa muito bem essa Misturança. Além de namorados, eles fazem dupla no forró e também dividem a paixão pelo flamenco. Ela diz que sempre gostou mais do forró. “Forro é divertido, aproxima as pessoas, faz amigos. Amo dançar, sempre gostei, mas nunca tive um par, agora tenho”, diz a animada e apaixonada forrozeira, que também se declara encantada pelo flamenco. “Eu comecei a fazer flamenco para ficar mais tempo com o Jair e agora estou amando”, confessa.

Ele prefere flamenco, mas se diverte no forró. E embora mais contido nas palavras, também admite que a dança aproxima os casais. “É bem legal e anima o relacionamento”, diz Jair.

 

 

Sandra e Jair

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