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Aos mestres, o carinho

Essa MSO espetáculo Misturança, realizado no dia 2 de dezembro, teve parte de seu brilho creditado a dois voluntários incansáveis e obstinados: Milene e Solano, os professores de forró, responsáveis por despertar e cultivar o amor pelo ritmo entre os jovens, uns de idade e outros de espírito, que formaram a numerosa turma deste ano.

Eles, que no ano passado eram monitores, receberam como tarefa a gigante responsabilidade de substituir o professor Marcelo,  que deu vida ao projeto e vinha desenvolvendo um excelente trabalho, mas teve de se ausentar para estudos.

Sua saída representava a morte de uma iniciativa que despertou um grupo de apaixonados e seguidores, monitores que se dedicaram a aprender as técnicas da dança e repassavam aos demais alunos.

 

Paixão assumida

Milene Ribeiro da Silva é servidora pública na UEM há 15 anos. Veio de São Paulo em 2002, e chegou ao forró buscando uma forma de se mexer, já que sempre gostou de atividade física. Certo dia, em agosto daquele ano, um cartaz discreto no mural da UEM dizia: aulas de dança, idade limite: 30 anos. Ela correu para fazer as inscrições, pois em novembro atingiria a idade limite. Entrou no forró e três anos depois passou a fazer também a dança flamenca, ritmo que gosta bastante, mas paixão mesmo, ela sente pelo forró. “Eu me identifiquei”, diz, acrescentando que sua participação foi aumentando, de forma cada vez mais colaborativa, e se tornou a principal auxiliar do professor.

Com a saída do idealizador do projeto, convidada a dar continuidade, Milena não tinha dúvida de que o desejo era ver acesa a chama daquele belo projeto de aulas de dança. Mas, tímida e um pouco insegura de tomar nas mãos as rédeas, buscou ajuda entre os demais monitores e achou o parceiro ideal. “Quis o destino que eu assumisse as aulas juntamente com um aluno que agora também é um ótimo professor e dançarino”, elogia. “Tenho uma gratidão enorme pelo Solano. Por eu ser muito tímida, talvez não tivesse a capacidade e coragem de encarar sozinha um projeto”, admite. “Ele tem toda desenvoltura, facilidade de se comunicar, e me sinto supersegura à frente, porque sei que ele está ali. Todo o medo que eu tive quando o Marcelo disse que não iria mais participar, foi resolvido com a presença do Solano. Sou muito grata mesmo”, reafirma.

Experiência enriquecedora

Solano Ribeiro Soares entrou para a oficina de forró em agosto de 2014. Um ano depois se tornou monitor do grupo. E no final de 2016 veio o inesperado convite. O principal fator que o motivou a aceitar o desafio foi a possibilidade de a oficina terminar, caso não houvesse alguém para dar continuidade. “E eu não queria que isso acontecesse, pois foi uma experiência muito enriquecedora na minha vida. Aprendi uma cultura nova, fiz várias amizades, não achava justo que algo tão especial e que adicionava tanto à vida de tantas pessoas, pudesse não existir mais”, relata.

Detalhista e perfeccionista, a didática de Solano nas aulas parte da simplicidade, fator determinante, que faz com que todos aprendam, e cada um, claro, dentro de seu tempo e limitação, sempre sai dali dançando.

Ele reconhece que não poderia ter parceira mais engajada nessa importante missão.  “A Milene foi muito importante em todo esse processo, porque, desde o início, ela confiou em mim e me ajudou em todos os momentos”, ressalta.

Orgulho e gratidão

Foto do primeiro dia de aula mostra a turma numerosa do ano
Foto do primeiro dia de aula mostra a turma numerosa do ano

Embora as aulas sejam em grupo, Milene e Solano estão sempre atentos ao desenvolvimento individual dos alunos, que têm perfis bem abrangentes em todos os aspectos. “Cada pessoa é diferente, cada um tem um tempo de aprendizagem e desenvolvimento diferentes, capacidade de retenção diferente. É preciso um pouco de sensibilidade e paciência para poder perceber as dificuldades e necessidades dos alunos”, analisa Solano. “É indiferente se a pessoa tem dificuldade ou não, a que classe social pertença, isso não importa, porque a dança democratiza” completa Milene.

O número de participantes nas aulas e no espetáculo impressionou. “Em tantos anos de projeto, nunca teve tanto aluno, mais de 30 casais subiram ao palco”, aponta. “Isso é isso motivo de muito orgulho para nós, saber que conseguimos motivá-los a estarem ali, mostrando o resultado do que fazemos. Não tenho palavras”, diz Milene, com voz embargada de emoção. “É realmente incrível, sou muito grata por isso”, resume.

Ajuda: palavra chave

Os monitores atuam nos bastidores e são peças fundamentais durante as aulas
Os monitores atuam nos bastidores e são peças fundamentais durante as aulas

Para a análise individual dos iniciantes, Milene e Solano contam com a especial ajuda dos monitores. “Ajuda é palavra chave nesse projeto. Sem o esforço do coletivo, não haveria como acontecer”, afirma Solano.

Eles participam nas aulas, girando pelo salão a observar cada passo ou descompasso, ajudam em caso de dificuldade dos aprendizes nos momentos que exigem coordenação entre os movimentos dos pés e os entrelaçar de mãos que terminam em giros que parecem impossíveis de aprender.

Os monitores ajudam, principalmente, nas tarefas de bastidores que antecedem as aulas, preparando o cronograma, e em uma série de detalhes que envolvem o projeto, como solicitar atestado médicos, analisar a quantidade de alunos, cuidando para ter equilíbrio entre homens e mulheres, confeccionar camisetas para os participantes, cuja venda garante a verba que ajuda a custear as despesas de manutenção do grupo. “Tudo que mostramos tem participação deles, e as pessoas acabam não sabendo, mas é importante ressaltar que o trabalho desse grupo de monitores é fundamental e imprescindível”, aponta Milene.

 

O grande dia

Mais de 30 casais subiram ao palco para dançar forró
Mais de 30 casais subiram ao palco para dançar forró

Quando vai se aproximando o final do ano, hora de fazer bonito no palco e mostrar o resultado, o trabalho árduo aumenta. É escolha de músicas, figurino, tecido, costureira, montagem de coreografias, reserva de ensaios, que acontecem aos sábados, domingos e feriados, exigindo dedicação total até que fique bonito.

E os professores se viram nos 30 para estarem presente em cada etapa. No dia da apresentação, por exemplo, Milene chegou ao Centro Cultural às 8 da manhã, para ajudar o pessoal a arrumar o palco. Fez um intervalo de 1 hora e voltou para o último ensaio das coreografias e acerto dos últimos detalhes. A maratona foi até às 17 horas, quando ela foi para casa, se preparar para a apresentação. E às 19 horas estava pronta para o espetáculo.

Passada a apresentação, as comemorações por tudo ter saído perfeito, os risos, abraços, fotos, ela e alguns companheiros ficaram até às 22 horas para a arrumação. O espaço precisa ficar em ordem, pois no dia seguinte o Centro Cultural continua com suas atividades normais.  “É cansativo, mas ao mesmo tempo renovador, é uma alegria saber que tudo deu certo. E fazemos por isso por amor”, aponta.

 

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